Você conhece a biblioterapia?

Se levarmos em consideração o significado literal da palavra biblioterapia, nos depararemos com o significado de terapia por meio dos livros, junção das palavras de origem grega: BIBLIO + THERAPY. Mas, na atualidade e, na prática, esse processo pode ser realizado com os mais variados materiais literários, embora, o mais comum de fato seja o livro. É um termo que tem se propagado ultimamente, mas seu uso e benefícios datam da Grécia Antiga.

É o que afirma a facilitadora de círculos de biblioterapia e bibliotecária da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, Katty Anne Nunes. “É fácil perceber se você já teve contato com a biblioterapia, basta se perguntar se algum livro ou mesmo um pequeno texto já falou profundamente com você? Ou se você já teve uma experiência literária (livro, teatro, ouviu uma história) que mexeu com você de tal forma que após esse momento você não foi mais o mesmo? Se sim, você já teve contato com a biblioterapia”, diz Katty Anne.

Para a bibliotecária Silvia Fortes, a biblioterapia é o cuidado através dos livros. “A literatura por ela mesma, sem a utilização de artifícios didáticos, buscando o seu leitor, fazendo com que ele se sinta acolhido dentro de uma história”, explica.

A biblioterapia não é uma atividade exclusiva dos bibliotecários e bibliotecárias, são várias as pessoas que inserem a biblioterapia no seu fazer profissional: bibliotecários, psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, professores, contadores de histórias, assistentes sociais, entre outros. “É um campo multi e interdisciplinar. Requer um debruçar sobre a temática e pede, especialmente, que você tenha obras que lhe tocaram, essas poderão também tocar o outro”, comenta Katty Anne Nunes.

Silvia explica que existem dois tipos de biblioterapia: a clínica, que é aplicada por psicólogos, com o intuito de corrigir patologias em pessoas com problemas comportamentais e a biblioterapia do desenvolvimento, que é utilizada por bibliotecários e também por profissionais de outras áreas, com a finalidade de oferecer a literatura como suporte no desenvolvimento pessoal na prática de um autoconhecimento e autocuidado. “Para desenvolver a função de biblioterapeuta, é fundamental que o bibliotecário tenha uma escuta atenta e sensível, pois os participantes muitas vezes trazem para a roda suas angústias e o simples fato de ter alguém que o escute já ameniza bastante as suas aflições”, diz Silvia.

Assim como o campo de atuação do bibliotecário tem sido cada vez mais amplo, os espaços para a realização das rodas de biblioterapia também, podendo o profissional adaptar a prática em seu ambiente de trabalho. 

Katty Anne conta que trabalha a biblioterapia em vários contextos. “Voluntariamente com alunos de ensino médio de uma escola da rede pública do Estado; Na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, com encontros e uma espécie de podcast com leituras compartilhadas com os servidores”, diz. “E na Kuau Experiências Formativas, um empreendimento no qual ofereço círculos de biblioterapia e oficinas para quem deseja conhecer mais do assunto”, complementa.

A bibliotecária Silvia Fortes trabalha na biblioteca escolar e conta que lá, os encontros são semanais, divididos por turma e idades. “Para a seleção dos livros convém observar se existe a necessidade de trabalhar algum tema específico com o grupo, o gosto literário da turma. Os encontros costumam ser leves e muitas vezes divertidos. Algumas vezes após a leitura, são oferecidas atividades coletivas, como dramatização, esquetes e dinâmicas focadas no tema selecionado do dia”.

Para ela, a biblioterapia não é um remédio para curar doenças, mas um cuidado com o ser. “É apresentar ao outro um momento de reflexão, aguçando a vontade de se conhecer e de se autocuidar. É abraçar com palavras”, conclui Silvia.

Katty Anne e Silvia têm capítulos no livro QUINTAIS DA BIBLIOTERAPIA: experiência na poética do cuidado. Uma obra organizada por Cristiana Seixas, e publicada pela Editora Cândido, onde relatam as experiências com a biblioterapia. 

Biblioterapia na pandemia

Atualmente, devido à pandemia, as rodas de biblioterapia funcionam on line e, muitas vezes, segundo as bibliotecárias, se tornam momentos de afago à pessoas que se sentem solitárias e cansadas. “Um bom exemplo é a roda com idosos, uma experiência de muitas trocas e aprendizados”, comenta Silvia.

Qual o gênero literário deve ser utilizado em uma roda de Biblioterapia?

“A resposta é: todos os gêneros literários! Particularmente, na maioria das rodas que apresento utilizo a Literatura Infantojuvenil, por ser um gênio do qual venho aperfeiçoando o conhecimento e envolvimento, percebendo a cada dia a qualidade das obras”, conta Silvia. 

“Esse tipo de literatura, apesar de dita para as crianças, pode ser apresentada aos grupos de todas as idades, pois, na verdade são feitas para todas as infâncias, já que a criança interior de cada um permanece presente e esses livros através da profundidade das histórias e da beleza das ilustrações fazem com que haja um envolvimento independente de se ter cinco ou noventa anos”, conclui a biblioterapeuta.

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Ana Paula

Sou Ana Paula Alcântara Porfírio, trabalho em horário integral como mãe, sou casada, com um príncipe chamado Júnior, tenho dois filhos a Manuella e o Arthur, que fazem meus dias mais felizes!

Vou dividir com vocês nossos passeios, dicas de programas com crianças, experiências e sentimentos da maternidade!