Especialistas reúnem novas descobertas sobre a manifestação da COVID-19 em crianças e recém-nascidos

Embora as descobertas científicas acerca da COVID-19 tenham progredido rapidamente, o papel da idade como um dos fatores que contribuem para a suscetibilidade frente ao vírus ainda gera muita incerteza para a comunidade médica, particularmente quando se trata de bebês, crianças e adolescentes. No início da pandemia, diversas especulações indicavam que os jovens poderiam apresentar menor vulnerabilidade à infecção e às repercussões graves decorrentes.

Com o tempo, esta informação foi gradativamente desmistificada conforme o aparecimento de casos pediátricos graves de síndrome inflamatória multissistêmica associados ao SARS-CoV-2. Além disso, notou-se que a infecção também poderia ser grave em crianças com comorbidades pré-existentes. Este novo fenômeno é foco do livro “COVID-19 em pediatria e neonatologia”, desenvolvido a partir de uma parceria entre colaboradores do Departamento de Medicina da USP e do Instituto da Criança e do Adolescente. A obra foi lançada em agosto deste ano, se consagrando como a primeira publicação sobre o tema, em pediatria e neonatologia, no Brasil.

De acordo com o Dr. Werther Brunow de Carvalho, pediatra do Hospital Santa Catarina – Paulista e membro do corpo acadêmico que desenvolveu o livro, apesar de se acreditar inicialmente que a COVID-19 não causava repercussões graves na pediatria, alguns casos relevantes passaram a ser mapeados com o progresso do cenário, determinando uma reavaliação da perspectiva científica sobre a manifestação do vírus em crianças.

“Muitos dos pacientes identificados foram acometidos pela síndrome do desconforto respiratório agudo pediátrica (PARDS) e pela síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P). Até o momento, ambas se apresentam como as evoluções pediátricas mais graves associadas ao coronavírus”, adiciona. Por isso, a atenção aos pacientes pediátricos com diagnóstico confirmado deve ser redobrada, principalmente para portadores de complicações pré-existentes que se enquadram no grupo de risco da condição.

O mapeamento de quadros graves e sintomas

Vale notar que, para serem considerados graves, os quadros mapeados devem atender a uma série de critérios clínicos, que indicam a necessidade de admissão da criança na Unidade de Tratamento Intensivo. Entre estes estão o desconforto respiratório moderado ou intenso, alteração no pulso, diminuição no nível de consciência, necessidade do uso de ventilação mecânica ou de medicamentos para suporte da circulação e sinais de disfunções orgânicas, como a insuficiência cardíaca ou lesões renais agudas. Embora muitos destes fatores só possam ser avaliados após a entrada no hospital, caso algum dos sintomas indicadores seja identificado, a procura por um especialista deve ser imediata.

De fato, o agendamento de consultas com um médico deve ser feito sob qualquer suspeita relacionada a presença de uma possível complicação de saúde, pois, no caso dos pacientes pediátricos, os sintomas podem ser apresentar de maneira inespecífica, variando entre quadros assintomáticos a indícios gripais leves, pneumonia grave, disfunção cardíaca e estados de choque, capazes de progredir rapidamente a circunstâncias fatais.

“Além das repercussões conhecidas causadas pelo SARS-CoV-2, com predominância do comprometimento pulmonar, as crianças acometidas por quadros agudos de COVID-19 também podem apresentar comprometimento cardíaco. Por isso, um diagnóstico precoce é essencial para garantir um tratamento evolutivo bem-sucedido”, completa.

Suporte nutricional

É importante ressaltar que as manifestações gastrointestinais causadas pelo vírus também são consideravelmente comuns entre crianças e deve-se ter atenção a sinais como a anorexia, vômito e diarreia. Em razão disso, o suporte nutricional adequado para pacientes com casos agravados é imperativo.

Em caso de internação, a administração de fluídos deve ser feita de maneira cautelosa, levando em conta a situação clínica e as necessidades individuais dos pacientes. Mesmo após receber alta, aqueles que passaram um tempo prolongado sob observação na UTI podem necessitar de monitoramento nutricional no período de recuperação para assegurar uma reabilitação completa, visando evitar o possível surgimento de sequelas Pós-COVID.

O progresso do atendimento pediátrico na pandemia

Conforme o cenário pandêmico progrediu, a pediatria se deparou com uma série de desafios que foram além das informações científicas disponíveis, fomentando a constante inovação e busca por novos protocolos dentro da especialidade. Os casos graves associados à COVID-19 em adultos tiveram uma frequência muito maior quando comparados às crianças e, por este motivo, muitos médicos intensivistas pediátricos foram remanejados para atender pacientes com idade superior ao que as unidades de pediatria habitualmente contemplam.

Estes e outros desafios contribuíram diretamente para um avanço nos conhecimentos pediátricos sobre a COVID-19, deixando a especialidade cada vez mais preparada para eventuais cenários de caráter similar. “A partir do desdobramento da pandemia, percebemos espaço para a otimização de diversos aspectos do atendimento e tratamento, como a capacidade de leitos, métodos mais efetivos de triagem, gestão flexível de equipes e a melhoria da cadeia de fornecimento de equipamento de proteção individual, equipamentos de UTI e medicamentos”, finaliza.

SOBRE O HOSPITAL SANTA CATARINA

O Hospital Santa Catarina prima pela excelência no atendimento seguro e humanizado. Referência de qualidade em serviços de saúde no Brasil, atende desde pequenos procedimentos até cirurgias de alta complexidade. É parte da Rede Santa Catarina, uma instituição filantrópica que impacta na cadeia de valor produtivo do país e atua nos eixos da saúde, educação e assistência social, por meio de 19 Casas e cerca de 10,5 mil colaboradores, distribuídos em seis Estados brasileiros. Com infraestrutura moderna, equipamentos de última geração e profissionais altamente qualificados, o Hospital Santa Catarina dispõe de 316 leitos, sendo 79 de UTI, distribuídos em cinco Unidades de Tratamento Intensivo (neurológica, cardiológica, pediátrica, geral e multidisciplinar), 15 salas de cirurgias, 3 salas de centro cirúrgico minimamente invasivo e pronto atendimento 24 horas.

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Ana Paula

Sou Ana Paula Alcântara Porfírio, trabalho em horário integral como mãe, sou casada, com um príncipe chamado Júnior, tenho dois filhos a Manuella e o Arthur, que fazem meus dias mais felizes!

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