O retorno às aulas presenciais – seja no modelo híbrido ou convencional – tem sido discutido de forma exaustiva em todas as instituições de ensino do país. Com a proximidade de 2021 e o impasse sobre disponibilidade de vacinas ou não, os questionamentos devem levar em consideração a segurança, o bem estar e o estado emocional de estudantes, familiares e profissionais da educação. Pensando nisso, a Santillana produziu o manual “Uma nova escola – habilidades socioemocionais pós-quarentena”
Disponibilizado para download gratuito ( clique aqui!), o material tem o objetivo de preparar a escola e os profissionais diretamente associados ao contexto educacional para reduzir os impactos socioemocionais negativos causados pelas pandemia, assim como propor um planejamento pedagógico que contemple as necessidades socioemocionais e cognitivas das crianças e adolescentes e, principalmente, aqueles que se perceberam completamente perdidos ou angustiados com tudo o que a sociedade está passando dentro de suas casas neste momento.
O manual é de autoria da Psicopedagoga e Pós-Doutora em Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Telma Pantano; e da Psicóloga e professora de Neuropsicologia do Hospital Dia Infantil do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP), Cristiana Castanho de Almeida Rocca.
Dividido em dez capítulos, o guia destaca os impactos e efeitos da quarentena; cuidados com a equipe escolar; como lidar com o estresse pós-traumático; com a autorregulação emocional; identificação de emoções; a prática da empatia; como receber os alunos e a comunidade escolar e o uso da literatura como recursos para habilidades socioemocionais.
Para exemplificar os impactos psicológicos que a quarentena pode causar aos indivíduos em curto, médio e longo prazo, as autoras destacaram um estudo realizado por grupo de pesquisadores ingleses, lançado neste ano na revista científica The Lancet. O estudo ressalta que há consequências deste período de reclusão na pandemia da Covd-19 e que será necessário lidar com as perdas psicoemocionais, sobretudo de crianças e adolescentes.
Os efeitos em adultos e crianças
O estudo destacado analisou 24 artigos científicos elaborados para identificar o efeito de quarentenas impostas em áreas da China e Canadá durante o surto de síndrome respiratória aguda grave (SARS) em 2003, bem como quarentenas que vigoraram em muitos países da África Ocidental durante o surto de Ebola de 2014.
Um dos artigos mostra que a quarentena provocada pela epidemia de SARS (doença biologicamente “próxima” da Covid-19) foi o fator mais impactante no desenvolvimento de estresse agudo em funcionários de um hospital. A equipe em quarentena relatou mais exaustão, distanciamento dos outros, ansiedade ao lidar com pacientes febris, irritabilidade, insônia, baixa concentração e indecisão, deterioração do desempenho no trabalho e relutância para trabalhar ou consideração de demissão. Em outro estudo, o efeito de ficar em quarentena foi um preditor de sintomas de estresse pós-traumático em funcionários do hospital mesmo 3 anos depois.
Ao comparar os sintomas de estresse pós-traumático em pais e filhos em quarentena com aqueles que não foram isolados, um dos artigos revelou que que a pontuação média de estresse pós-traumático foi quatro vezes maior em crianças que foram colocadas em quarentena do que aquelas que não foram. 28% dos pais colocados em quarentena relataram sintomas suficientes para o diagnóstico de um transtorno de saúde mental relacionado a trauma, em comparação com 6% dos pais que não foram colocados em quarentena.
As perdas socioemocionais
A neurocientista Telma Pantano explica que, nas escolas, os impactos mapeados podem variar de acordo com a idade do estudante, mas inevitavelmente se manifestarão em algum grau. Por isso, é necessário empatia e paciência. “Não nos damos conta, mas a desestabilização emocional do convívio rompido é enorme. Mesmo considerando famílias emocionalmente mais estruturadas, o impacto do isolamento social provoca uma desorganização emocional evidente”, diz.
Pantano defende que esses impactos acontecem principalmente porque a escola tem um importante papel no desenvolvimento de aprendizado, como a organização, a resiliência e a capacidade de lidar com conflitos cotidianos: “Não nascemos com habilidades socioemocionais desenvolvidas, elas não são naturais. A criança precisa ser constantemente estimulada, com apoio adulto especializado a lhe guiar nesse processo de nomear, trabalhar e consolidar seus sentimentos. É assim que ela aprende a organizar as informações que recebe em termos de conteúdo educacional”. As dificuldades impostas pela interrupção das aulas presenciais prejudicaram esta forma de apoio especializado próximo – e nem sempre os adultos responsáveis pela criança possuem esse tipo de habilidade para ajudá-las -, o que compromete o aprendizado.
Para a neurocientista, o papel mais importante da escola e dos professores neste momento é fortalecer as relações que propiciam o desenvolvimento das habilidades socioemocionais. “O olhar crítico e o acompanhamento emocional das crianças e adolescentes devem ser realizados pelo professor através do contato que a escola possibilitar durante o período de estresse e/ou enquanto durar a quarentena ou medidas de restrição social, afirma.
A especialista defende ainda que, embora o acompanhamento escolar seja vital para garantir a saúde socioemocional dos alunos, as escolas não podem ficar sozinhas nesse processo. “A integração entre Saúde e Educação faz parte do processo de suporte, acolhimento e reorganização do funcionamento da equipe escolar. Estamos lidando com jovens em estado de ansiedade, medo e muito desconforto emocional. Isso interfere no aproveitamento cognitivo e, mesmo sabendo que temos potencial para aprender, pensar, raciocinar e resolver problemas, nossa eficiência fica comprometida. Os conteúdos serão retomados mais de uma vez ao longo do ciclo escolar. Mas, para que eles sejam aprendidos de forma eficiente e permanente, devemos cuidar para que todos os agentes envolvidos nesse processo estejam preparados e aptos a auxiliar os alunos a se autorregularem. Há esperanças, precisamos apenas nos planejar, acessando todo conteúdo científico que temos”, finaliza Telma Pantano.
Sobre a Santillana
A Santillana, fundada na Espanha em 1960, é o braço editorial do grupo PRISA, que é líder em meios de comunicação, entretenimento e educação nas línguas espanhola e portuguesa. Presente em 23 países, a Santillana iniciou suas atividades no Brasil em 2001, ao adquirir as editoras Moderna e Salamandra.
Com forte presença nas Américas e na Europa, a Santillana tem o compromisso global de entender a identidade, a missão e o momento de cada instituição educacional, a fim de fomentar um mundo integrado de vivências e descobertas em constante movimento. Na área social, atua por meio da Fundação Santillana, instituição voltada ao fomento da educação e difusão da cultura no país, que realiza diversas ações em parceria com organismos nacionais e internacionais, como Unesco, OCDE, OEI, Movimento Todos Pela Educação, entre outros.
A Santillana opera no Brasil como uma holding de negócios educacionais, com soluções didáticas e de literatura infantil e juvenil, com a Moderna e a Editora Salamandra, com materiais para ensino de idiomas e educação bilíngue, com a Richmond e Santillana Español, avaliação educacional, com a Avalia Educacional, projetos educativos como UNOi Educação e Moderna Compartilha, o Sistema Farias Brito de Ensino, a plataforma Kepler e o programa socioemocional Crescemos.