Os Direitos da Criança – faz temporada no Teatro Procópio Ferreira

Clássico do musical infantil brasileiro tem canções compostas para a Declaração Universal dos Direitos da Criança. O disco – interpretado por Chico Buarque, Elba Ramalho e Leonardo, entre outros artistas – ultrapassou a marca de 500 mil cópias vendidas. Assina a montagem a diretora Carla Candiotto, que tem nome associado às mais importantes e premiadas produções do teatro infantil.

O mais importante entre todos os trabalhos musicais do violonista, cantor e compositor Toquinho para o universo infantil, o disco Canção dos Direitos da Criança (interpretado por Chico Buarque, Elba Ramalho e Leonardo) pode ser ouvido no espetáculo musical Os Direitos da Criança, encenado pela diretora Carla Candiotto. A reestreia é dia 8 de outubro Teatro Procópio Ferreira.

Com músicas de Toquinho e Elifas Andreato, o espetáculo – realização da Script Produções – tem texto e direção de Carla Candiotto, cenário e figurino de Marco Lima, iluminação de Wagner Freire, sonorização de André Omote e direção musical e arranjos vocais de Daniel Tauszig e Daniel Rocha. Com 60 minutos de duração, a peça dosa na mesma medida texto e música (foram selecionadas 7 das 10 canções do disco para integrar o musical), entre elas Gente tem sobrenome, É bom ser criança, Imaginem, Natureza distraída, Herdeiros do Futuro e Aquarela, a única que não faz parte do disco A Canção dos Direitos da Criança.

Inspirado na Declaração Universal dos Direitos da Criança, Toquinho compôs 10 músicas, cada uma para um dos 10 princípios aprovados pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em novembro de 1959. A proposta do musical é estimular a criatividade, passando a importância e o significado dos direitos da criança de forma irreverente e divertida. Para dar vida às canções e encenar o espetáculo, a diretora Carla Candiotto (prêmios APCA e Coca-Cola Femsa) foi buscar na história a origem dos direitos da criança e encontrou conteúdo na figura de uma intelectual, escritora e humanista inglesa, pioneira do movimento em defesa dos direitos da criança, Eglantyne Jebb (1876-1928 ).

Divertido e atual, o texto do espetáculo foi criado pela diretora durante os ensaios. A montagem tem o estilo característico de Carla Candiotto – rápidas movimentações, corre-corre, cenas limpas e bem desenhadas, ação concentrada em um personagem para facilitar o entendimento dos pequenos, luta e bordões que marcam cada tipo. No reino da Rainha Má, as crianças são chamadas de “Coisinhas” e estão às voltas com planos mirabolantes para convencer a todos de que precisam de comida para sobreviver. Nessa aventura, precisam vencer o fiel escudeiro da Rainha, o Ministro, que quer dominar o reino e o mundo.

Para a diretora, um dos desafios foi criar um espetáculo sobre os direitos das crianças sem ser didática. A estratégia foi mesclar o período histórico do começo da Revolução Industrial com a linguagem clownesca. Os personagens das crianças, todos com trejeitos e personalidade, geram uma simpatia quase imediata com o público. “As crianças acabam se identificando com os personagens”, conta Carla. Cada uma das crianças do reino tem características bem peculiares. Há o rapaz inteligente mas prolixo, que faz todos os amigos dormirem com suas explicações; a menina cheia de ideias mirabolantes, que se expressa com a linguagem do rap, e o garoto ingênuo e bondoso, que sempre é escolhido para encarar as aventuras decididas pelo grupo. A paixão pela turma, bordões e brincadeiras de quente e frio ajudam a deixar o espetáculo ainda mais identificado com o universo da garotada.

A Rainha criada para Os Direitos da Criança foge do estereótipo de poder e malvadeza de outras histórias infantis. A personagem solitária vive a conversar sozinha ou com o agressivo cachorro Vulcão. Seu motivo para ser tão má parte de um grande segredo revelado apenas no final da peça. As coisas começam a mudar de forma quando a rainha é convidada para sair dos seus aposentos e revisitar o lado de fora do reino. Em uma cena memorável do espetáculo, a diretora se inspirou no tom militar de Another Brick in The Wall, clássico da banda britânica Pink Floyd, para coreografar e dar nova melodia à música Imaginem. Em meio a versos como “Armas de fogo, seria tão bom / Se fossem de isopor / E aqueles mísseis de mil megatons / Fossem bombons de licor”, os personagens marcham com o intuito de mostrar para as crianças – com letra e imagens – como a guerra é algo nocivo. As referências ousadas da encenadora para a cena também foram encontradas no musical Across the Universe, com canções dos Beatles e que se passa na Guerra do Vietnã.

A ambientação remete à era vitoriana, em meio à Revolução Industrial. Engrenagens, polias e chaminés complementam o cenário de um mundo que começa a ser regido pelas máquinas e onde as crianças são obrigadas a trabalhar mais do que gente grande. No desenrolar da história, a cenografia se desdobra e revela também objetos circenses e coloridos, e personagens característicos como o leão, o elefante e a bailarina, elementos que levam o público a um verdadeiro conto de fadas.


Toquinho para crianças

Os trabalhos do violonista, cantor e compositor voltados ao público infantil foram criados a partir da década de 80, quando Vinicius de Moraes pediu ao parceiro que musicasse seus poemas do livro ” Arca de Noé”. Resultaram desse trabalho os discos Arca de Noé 1 e Arca de Noé 2, em 1980 e 1981. Em 1983, veio a Casa de Brinquedos.

Sobre as músicas

Em 1986, da parceria com Elifas Andreato, nasceu o disco Canção dos Direitos da Criança, lançado em 1987 pela PolyGram (Philips). Sua fonte de inspiração foi a Declaração Universal dos Direitos da Criança, que, em síntese, são 10 princípios aprovados pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em novembro de 1959. Para cada direito Toquinho fez uma canção. O disco representa, sem dúvida, o mais importante trabalho que já se fez no Brasil com relação à criança, tendo recebido da ONU uma carta como reconhecimento por sua contribuição à humanidade. Vale registrar a penetração da obra de Toquinho dedicada ao público infantil nos âmbitos escolar e social.

Sobre Carla Candiotto

Carla já foi contemplada com diversos Prêmios APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte e Prêmios São Paulo (antigo Prêmio Coca-Cola FEMSA) de melhor direção, melhor atuação e melhor texto adaptado ao longo de sua carreira. E recebeu o prestigiado Prêmio Governador do Estado, em 2015, pelo conjunto da sua obra. Espetáculos como os musicais A Casa de Brinquedos (2019) e A Canção dos Direitos da Criança (2015), ambos com músicas de Toquinho, tiveram texto, direção e coordenação de todo o processo criativo e produtivo coordenados por ela. Da mesma forma, foram criados espetáculos como Aladdin, O Musical (2019), Que Monstro te Mordeu? (2018), adaptado da série da TV de Cao Hamburger, Cinderela Lá Lá Lá (2015) e Simbad, o Navegante (2015) em parceria com diferentes companhias e produtoras.

Sobre Eglantyne Jebb

Fundadora da organização social Save the Children, Eglantyne Jebb (1876-1928) dedicou sua vida, depois da Primeira Guerra Mundial, à infância europeia. É ela que está por trás da primeira versão da Declaração Universal dos Direitos da Criança, conhecida como a Declaração de Genebra de 1924. Em 1948, após a Segunda Guerra Mundial, a Declaração de Genebra ganhou dois novos importantes parágrafos, um contra a discriminação de raça, nacionalidade e religião, e outro, pela integridade da família e direitos sociais da criança. Finalmente, em 20 de novembro de 1959, a Assembleia Geral das Nações Unidas, a O NU, aprovou os dez princípios que compõem em definitivo a Declara ção Universal dos Direitos da Criança, tão importantes como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, mas praticamente desconhecidos até hoje pela maioria dos povos do mundo, que continua a ignorar os direitos da infância.


Teatro Procópio Ferreira. Rua Augusta, 2823, Cerqueira César, São Paulo. Telefone: (11) 3083.4475. Capacidade – 624 lugares, incluindo 07 poltronas adaptadas para obesos e mais 12 lugares reservados para cadeirantes

Temporada – 08/10 a 06/11 – sábados , 15h – Domingos, 16h

Ingressos – Entre R$ 50 e R$ 100. Aceita todos os cartões de crédito. Não aceita pagamentos em cheque. Não faz reservas. Possui ar-condicionado e acesso universal.

Recomendado para crianças a partir de 4 anos. Duração – 60 minutos.

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Ana Paula

Sou Ana Paula Alcântara Porfírio, trabalho em horário integral como mãe, sou casada, com um príncipe chamado Júnior, tenho dois filhos a Manuella e o Arthur, que fazem meus dias mais felizes!

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